Há quatro anos, o Lions Clube Cabo Frio recebeu a visita de um pai desesperado, buscando um local onde a voluntária Ophelia Curvello pudesse dar aulas gratuitas de balé a crianças carentes. E dizia ele: - o sonho da minha filha era estudar balé, mas eu trabalho em uma padaria e, se não fosse a Professora Ophelia, jamais a minha filha teria o seu sonho realizado. Mas fomos expulsos do espaço que ocupávamos (uma escola!) e eu me lembrei do Lions. Vocês podem nos ajudar cedendo um espaço?
Ora, foi uma bandeira vermelha a acenar para os Leões, verdadeiros Dom Quixotes, loucos para lutar contra os moinhos de vento da falta de solidariedade com os mais carentes. A assembléia concordou com o pedido a título de experiência, pois já tínhamos os nossos escoteiros, e não sabíamos se esta junção de projetos tão diversos poderia dar certo.
Deu tão certo que, no ano seguinte, quando assumi a Presidência do Clube, o balé havia passado de 80 crianças para mais de 120. Propus, então, transformá-lo em uma permanente campanha leonística, dando-lhe o nome de Balé da Comunidade. Com a aprovação da assembléia, adaptamos o chão para as sapatilhas de ponta e adotamos de vez as nossas bailarinas e a nossa voluntária.
Hoje, temos 253 crianças que ostentam, com orgulho, em seu uniforme o dístico "Balé da Comunidade do Lions Clube Cabo Frio, Projeto Ophelia Curvello e recusamos, semanalmente, a média de 10 alunos novos, por absoluta falta de espaço. As aulas, dadas duas vezes na semana, agora ocupam 4 dias, das 14 às 21 horas, já que algumas alunas, moradoras em locais distantes da periferia, dependem da saída do trabalho de seus pais para buscá-las e levá-las a salvo até suas casas.
Já formamos uma bailarina, que foi nomeada, pela Prefeitura, para o projeto PAIF, que leva aulas de balé a escolas mais distantes. Não se espantem! a Prefeitura nos copiou, tal o sucesso do Balé da Comunidade. E já estamos prestes a formar a segunda aluna, também já chamada para o PAIF. Será que, hoje em dia, eles expulsariam o balé?
O mérito do Lions foi o de ter percebido a potencialidade do projeto da professora Ophelia. Mérito maior, creio, é o desta pequenina e bela mulher que, ao perder o marido e o filho, transformou sua tragédia pessoal em benefício do seu próximo. E que, dia 06 de agosto, como ela mesma diz, verá realizado o seu sonho de se tornar, de fato e de direito, uma Companheira Leão, a ser empossada pelo Vice-Governador CL Jorge Fortunato.
A futura CaL Ophelia Curvello formou-se pelo Teatro Municipal do Rio de Janeiro e fez parte do seu corpo de baile por alguns anos, abandonando-o, apenas, para graduar-se em "maïtre de ballet" no Metropolitan Ballet dos Estados Unidos e no Ballet Kirov da Rússia.
* CaL Rosinha Menezes