A sensibilidade é o combustível para tornar alguém especial, seja no campo das artes, das letras, enfim em todas atividades que envolvem o relacionamento humano como meio ou como fim.
Mas como ser sensível num mundo automatizado, informatizado, onde apertar um botão resolve uma série de problemas mundanos e competir com o semelhante é uma questão de honra machista ou feminista e também de sobrevivência em seus "status" social e até profissional?
As pessoas precisam aprender a ter o controle de seus sentimentos e não serem apenas controladas por impulsos sutís causados pela máquina do sistema capitalista que nos impulsiona como autômatos em nossas ações e reações, através da poderosa mídia que age como o "big brother" do livro "1984" de George Orwell, aprisionando as nossas emoções e nos fazendo agir dentro dos padrões impostos pela sociedade.
Se não tivermos sensibilidade, jamais curtiremos um show orquestrado, executando uma linda canção, notar a singeleza de um sorriso de uma criança, a beleza de uma flor no seu vigoroso desabrochar, a imponência de uma montanha, a maravilhosa cachoeira cujo barulho das águas quebra o silêncio da vegetação esplendorosa em sua volta.
Há muitos anos atrás, vivendo um momento altamente estressante, fui fazer um curso de autoconhecimento e auto-ajuda chamado "avatar", um seminário de 9 dias num sítio afastado da capital, em regime de dedicação integral, brilhantemente coordenado por Roberto Shinyashiki, renomado psiquiatra e psicólogo, autor de livros de sucesso nesta área.
O curso, desenvolvido pelo psicólogo americano Henry Palmer. Teve como início exercícios de sensibilidade. E Roberto pediu-me como primeira tarefa, que eu descrevesse uma grande árvore localizada nos arredores do sítio. Passei mais de duas horas distribuídas em várias tentativas e toda vez que a descrevia, era reprovado no teste. Já estava ficando ansioso, pois percebi que os demais companheiros que faziam o workshop comigo já haviam ultrapassado esta fase. Finalmente, ao relatar com a voz embargada ao coordenador Shinyashiki, que senti uma vibração energética muito grande ao abraçar a árvore, ele me disse : "agora você sentiu a árvore ! ".
Não basta ver o que se passa ao nosso lado. É necessário sentir o que se passa ao nosso lado, na frente, em todos os lugares. Quantas vezes fazemos uma gentileza e nem um "obrigado" recebemos. Estamos cada mais automatizados, robotizados e competimos com os nossos semelhantes.
Como queremos ser felizes se nem sabemos o que se passa ao nosso redor.
Mas o que é a felicidade? Ventura, contentamento, bem estar, sucesso, boa sorte diz o dicionário. Enfim é um estado em que o ser humano está em paz consigo mesmo, amando a vida e tudo ao seu redor.
Mas onde está a felicidade? Poderá estar ao seu lado e você não ter a capacidade de senti-la por ser um robô, destes que ao receberem uma atenção especial, uma gentileza, não tem a sensibilidade de reconhecê-la e retribuí-la. Parece aquele robô do seriado "Jornada das Estrelas" que quando recebia um carinho, dizia : " -não registra...não registra...".
Portanto, procure sentir sempre o que se passa ao seu lado, pois a felicidade pode estar no seu lado direito e você só olhar para o lado esquerdo. A felicidade está geralmente nos pequenos detalhes que a sua automação dificilmente detecta como ouvir um filho chamá-lo de pai ou chamá-la de mãe, um presentinho de dia dos pais feito da própria mão de seu filhinho; um olhar carinhoso de sua esposa ou do marido; um abraço; um olhar...
A sensibilidade é a característica fundamental do ser humano que mais identifica o companheiro/a leão. Só quem é sensível é que tem o dom de servir já os que não desenvolveram esse atributo, costumam se servir em vez de servir, pois seus objetivos são pessoais e não assistenciais. Beneficentes e corporativos.
Portanto, precisamos aprimorar nossos espíritos para atingir a necessária maturidade que nos permita viver uma vida feliz, terna, solidária, cultivando a amizade, a humildade para engrandecer a nossa alma e conviver em paz com nossos semelhantes.