Ora, a ordem é necessária ao desenvolvimento de qualquer atividade, senão instala-se o caos. Obviamente o rigor excessivo na condução de pessoas não é desejável, a menos que a medida se imponha por razões devidamente embasadas no senso comum. Como exemplo temos a disciplina militar, cuja necessidade, há milênios, está comprovada na formação de tropas eficientes e eficazes na arte da defesa e da guerra.
No Lions a disciplina tem sua razão de ser e traduz-se em normas de conduta que são sugeridas, mas jamais impostas. A experiência tem demonstrado que o clube que cultua uma tradição de ordem, de acatamento de regras e da aceitação de certas restrições tende a uma vida mais longa e produtiva, proporcionando a seus membros um companheirismo mais vigoroso e uma amizade mais profunda.
É desejável que o Protocolo Leonístico seja um parâmetro a ser observado por companheiros, companheiras e domadoras. Aquilo que se aprimora e se cultiva no âmbito do clube extrapola esse limite e aquele que cresceu no ambiente salutar do respeito às tradições e normas do leonismo, levará consigo nas suas andanças, onde quer que esteja e mesmo que não perceba, esse verdadeiro e magnífico "cacoete". Suas atitudes, com certeza, granjearão admiração e respeito, mesmo fora do meio leonístico.
No que concerne à abordagem que aqui fazemos, o dicionário indica que protocolo é "cerimonial", "formalidade", "normas de etiqueta". Mas pode significar muito mais. Nas relações internacionais é código de diplomacia e expressão oficial de boas maneiras. É o exercício do tato e da habilidade nas relações interpessoais. Como código de procedimento hierárquico é o "respeito pela posição". Na intimidade do clube, jocosamente dizemos que é a "ciência de sentar".
No Lions a prática do Protocolo é uma forma de reconhecer os méritos de alguém, de manifestar o respeito pela nossa Instituição e de valorizar a nossa auto-estima. Então, é desejável que todo leão se interesse por conhecer e exercitar os procedimentos sugeridos por Lions Internacional. Assim, evitará constranger, por atitudes indevidas, companheiros e autoridades presentes às reuniões de qualquer âmbito, desde os mais simples encontros da diretoria do clube até as convenções.
A elaboração de um protocolo adequado não é tarefa muito difícil, mas requer tempo, conhecimento, habilidade, bom senso, humildade e dedicado planejamento, para que sejam evitados erros. Numa reunião festiva do clube, por exemplo, é inadmissível deixar de apresentar, no momento oportuno, sequer um dos convidados, visitantes e autoridades, leonísticas ou não, que estejam presentes. A composição incorreta da mesa de honra pode causar desnecessário mal-estar a alguma autoridade que foi preterida. Deixar, por descuido, de conceder a palavra a algum orador previamente agendado é indesculpável.
Uma quebra de protocolo muito comum, especialmente em reuniões com número maior de participantes, ocorre quando grupos de pessoas mantêm conversações, geralmente em voz alta, enquanto o orador do momento faz sua intervenção. É um grave desrespeito a quem está falando e a quem está querendo ouvir. No meu modesto modo de ver, isso é uma severa falta de educação, que extrapola, inclusive, os limites do leonismo.
Na elaboração do protocolo, por uma questão de deferência para com os presentes, é preciso dispensar cuidados ao bem-estar geral. Por isso, devem ser considerados fatores como a pontualidade, a duração da reunião, o tempo dos pronunciamentos, o serviço de som, a iluminação do local, a disposição das mesas, os serviços da refeição e das bebidas, a temperatura do ambiente, etc.
Existe lei que regula a forma e a apresentação dos Símbolos Nacionais. Então, o uso da Bandeira exige especial atenção. Pelo respeito que merece, o Pavilhão Nacional deve fazer parte da elaboração do protocolo, pois é comum ocorrerem falhas, especialmente quanto à sua posição no recinto.
Seria impossível esgotar o assunto nesta breve exposição, pois ele é vasto e suscetível de abordagens muito diversas. No entanto é matéria merecedora de mais estudo por todos nós.
Se consegui reanimar, por pouco que seja, o interesse pelo Protocolo Leonístico, penso que cumpri a missão que me coube nesta Instrução Leonísticas.