Em outubro de 1917, durante a 1a Convenção de Lions, em Dallas, Texas, foi aprovado o ingresso da mulher como sócia. Porém, durante a 2a Convenção, em agosto de 1918, em Saint Louis, Missouri, aquela aprovação de 1917 foi revogada. Em junho de 1925, durante a 9a Convenção, em Cedar Point, Ohio, foram outorgados a Helen Keller e à sua preceptora Ann Sullivan, títulos de sócias honorárias de Lions Internacional, tornando-se assim as duas primeiras sócias femininas da Associação.
Em 1975, visando contornar a discriminação de sexo, foi criado o Lioness Clube, constituído apenas por mulheres. Porém, a tentativa falhou porque as sócias dos Lioness Clubes não tinham direito a voto nas Convenções e, por conseguinte, não tinham acesso a cargos na Associação. Assim, a discriminação continuava.
O ingresso da mulher como sócia de Lions só voltaria a ser discutido na gestão do CL João Fernando Sobral como presidente internacional, AL 1976/1977, quando, na segunda reunião de diretoria, apresentou uma moção que retirava a expressão do sexo masculino que constava dos Estatutos Internacionais entre as condições de ingresso no Lions. Segundo o presidente Sobral, não havia como se conformar com o fato de a mulher ter acesso, globalmente, a cargos de relevância, sem, no entanto, poder ser sócia de Lions. Citava como exemplo da época, Indira Gandhi, primeira ministra da Índia, personalidade de relevo internacional que, então, não poderia ser sócia de Lions. Infelizmente, não seria ainda dessa vez que o ingresso da mulher, como sócia do Lions, seria aprovada. A moção do presidente Sobral foi rejeitada por unanimidade pela Comissão de Estatutos e Regulamentos da Diretoria Internacional.
No AL 1985/1986, durante a 69a Convenção Internacional, realizada em Nova Orleans, Louisiana, foi novamente apresentada a proposta para o ingresso de mulheres como sócias, que, porém, não foi aprovada por falta do quorum necessário.
Em maio de 1987,a Corte Suprema dos EE.UU já havia decidido pela punição de determinadas entidades cujo regulamento configurava discriminação sexual. Até então, Lions Internacional que não havia sido atingido por nenhuma sentença, durante a 70a Convenção Internacional, em Taipei, Taiwan, em julho de 1987, com quorum de 77% dos votos dos delegados, decidiu pela alteração dos estatutos da Associação, aprovando o ingresso da mulher no Lions, como sócia.
Desde então, o Estatuto Internacional não impõe às mulheres quaisquer exigências discriminatórias sobre as dos homens. A seção 8 do artigo III, diz o seguinte: "Toda pessoa de maioridade legal e de reconhecida idoneidade moral e reputação em sua comunidade, poderá ser sócia de um Lions Clube devidamente constituído. A afiliação deve ser somente através de convite. Toda referência ao gênero masculino nos Estatutos e Regulamentos Internacionais deve ser também, interpretada como gênero feminino." Assim, qualquer mulher, solteira ou casada, mesmo não sendo esposa de um Companheiro Leão, se convidada, pode se filiar a um clube de Lions.
Hoje, são inúmeras as mulheres que se destacam à frente de seus clubes, distritos, distritos múltiplos e até mesmo diretoria internacional. Pelos distritos brasileiros, muitas mulheres se tornaram associadas, muitos clubes exclusivamente femininos foram fundados e hoje, as mulheres ocupam diversos cargos nos clubes e distritos, desde os mais simples até os de comando, sendo inúmeras as governadoras.
Finalmente, para coroar a participação da mulher no Leonismo Brasileiro, durante a Convenção Internacional de Bancoc, Tailândia, em junho de 2008, a EGD CL Rosane Vailatti, do DMLD, foi eleita diretora internacional de Lions para o Brasil, América Latina e Caribe, no biênio 2008-2010.
Fontes pesquisadas:
Leão Sabido - CL EDI Áureo Rodrigues
Dúvidas, Controvérsias e Curiosidades Leonísticas - EGD Alexandre Campos da Costa e Silva
* CL Fernando Barcelos Silva