Muito embora a figura da mãe seja imortalizada em versos, poemas, canções, depoimentos e todos os dias de sua vida devam ser a ela consagrados, quis, ainda, a sociedade dedicar-lhe um dia especial durante o ano.
Nada mais justo, porque, em realidade, à mãe cabe um papel próprio, singular, conferido a ela pela natureza, sacramentado por uma tradição que vem desde os tempos bíblicos.
A veneração a Maria Santíssima, mãe de Deus, isenta de pecado e detentora de todas as virtudes, inspirou na humanidade, sacramentar a mãe, colocando-a no altar das pessoas santificadas, esperando dela que aja, sempre, como santa, a imagem do perdão, da abnegação, da compreensão, da renúncia, do sofrimento, do amor incondicional.
Entretanto, a mãe comum, humana, advinda de famílias bem ou mal estruturadas, das camadas populares ou dos altos e baixos escalões da sociedade, nada tem de santa porque é feita de massa falível, sujeita ao bem e ao mal, vulnerável e envolta em mil e uma concepções de valor, especialmente na vida social contemporânea.
Muitas vezes, ainda, submetida ao marido ou parceiro, então, seu "dono e senhor", sua maternidade é até resultado de atos violentos, de submissão absoluta ou de interesses escusos, mesmo assim, exigindo-se dela, dedicação infinita e perfeição de procedimentos.
Não é raro ouvir cobranças às mães pelos desvios de seus filhos para o mundo do crime, da ociosidade, da dependência às drogas, da prostituição, como se fosse possível a elas, pelo dom da maternidade, realizar milagres ou prover o futuro dos filhos pela santidade de seu amor.
Cremos, certamente, na grandiosidade do amor materno porque ele existe latente em toda mulher; é o seu dom inato, floresce e frutifica em qualquer meio, dada a sua própria natureza e tem provado essa grandiosidade, através dos tempos.
A prática desse amor, entretanto, é afetada pelos inúmeros apelos, dificuldades e exigências da vida, pela convivência familiar e social, pela falta de amparo governamental.
O amor materno deveria, sempre, resultar em boa educação para os filhos, seria seu caminho lógico e ninguém melhor que a mãe é capaz de exercer influência pela força de seu amor, pela riqueza dos contatos com seus filhos a que sua missão obriga, desde o ventre.
Fatos revelados pelos órgãos de comunicação têm demonstrado que é grande o poder da influência materna até em depoimentos de prisioneiros, desabrigados, marginalizados... No entanto, esses mesmos fatos têm revelado, outrossim, que só esse grande amor não basta e não consegue milagres, porque necessita de apoio constante, de medidas coadjuvantes da parte de todos os agentes de educação, a começar pela família até órgãos governamentais.
Lions pode prestar-se, otimamente, a esse serviço coadjuvante, porque seu serviço parte de pessoas bem-sucedidas, de famílias bem constituídas, supondo-se, também que o sejam em relação à educação e encaminhamento de seus filhos.
Nada, portanto, mais pertinente que manter no Movimento Leonístico, um trabalho constante, permanente, de apoio à maternidade, não somente no que diz respeito ao aspecto material mas, principalmente, na multiplicação das experiências de sucesso materno, por intermédio de Domadoras e Companheiras-Leão.
Os Clubes de Mães, mantidos por grande número de Clubes de Lions, são um excelente veículo dessa multiplicação, podendo desenvolver, ao lado de seus programas de promoção humana, programas de prevenção às doenças, às drogas, de nutrição, de higiene, relacionamento familiar, sobre direitos e deveres e outros, difundindo valores universais, válidos para qualquer tempo, lugar ou população, para qualquer camada social, todos visando à saúde física, mental, moral e espiritual da pessoa humana, centrados no respeito e amor ao próximo, responsabilidade social e afetividade.
* CaL Eunice Rodrigues de Mello Junqueira