Tornou-se lugar comum em encontros leonísticos (assembléias, fóruns, comitê assessor, etc.), dizer-se, inclusive por alguma lideranças, que o Lions está em decadência, com perda de associados e dificuldade de novas aquisições, com pequena intensidade de serviços, com pouca representatividade, com mínima contribuição da mídia. No entanto eu não penso assim. Ocorre que a mutação social, que até alguns anos evoluía em progressão aritmética, hoje acontece em progressão geométrica.
Estamos vivendo algumas revoluções (tecnológica, globalização, econômica, organizacional, demográfica) A clonagem, os transgênicos, a célula tronco, a internet e outros avanços, são realidades que eram inimagináveis há não muito tempo atrás. Mercê dessas revoluções, também em conseqüência das mesmas, vivenciamos faces de violência jamais vistas, tais como a urbana, a rural, a morte de cerca de 40.000 crianças, diariamente, vítimas da desnutrição, a existência, agora, de cerca de 70 conflitos armados e assim por diante.
Tudo isto deixa o homem atual perplexo e tal perplexidade atinge o Lions.
Atualmente, não existe legislação alguma que consiga acompanhar a velocidade das transformações sociais, que ocorrem diuturnamente. E dada à ineficácia das leis, apenas existem para disciplinar os nossos atos, a ética, os direitos humanos, a dignidade, a cidadania e a solidariedade. Visando discipliná-los e, obedecendo aos aludidos princípios, surge a figura de Lions.
E o que pode fazer o Lions, ou mesmo um simples leão para solucionar tantos problemas? Trabalhar pela paz - e aí está a resposta para tantas transformações: - paz nos clubes, a paz entre clubes, a paz dentro e fora de Lions, esta paz tão decantada e tão pouco concretizada.
É a paz constante do objetivo Leonistico no sentido de "criar e fomentar um espírito de compreensão entre os povos da terra", "promovendo os princípios do bom governo e boa cidadania",
A violência, que surgiu com o individualismo exacerbado, apenas será extirpada através da solidariedade, onde um homem promoverá, socialmente, outro homem. Esta promoção deverá ser feita através do Movimento Leonístico, através da implantação de uma cultura da paz em substituição à atual cultura da violência.
Devemos nos conscientizar de que o Lions tem uma força desconhecida dos próprios leões e subestimada pelos próprios clubes. Esta força que aparece translúcida na sua própria fundação e é propagada pelo mundo todo.
Todos sabemos que Lions foi fundado em 1.917, por Melvin Jones nos Estados Unidos, mas é muito difícil entender como um movimento nascido em um país com costumes próprios, com cultura própria, com etnia própria, com regime político próprio espalhou-se pelo mundo todo. A mais lógica resposta para tal indagação, para justificar a propagação de seus ideais, repousa no Espírito Leonístico, no espírito do bem servir, no espírito de solidariedade e no espírito de paz.
Amalgamando estas colunas mestras, sedimenta-se a força de Lions e em conseqüência desta força, o seu poder.
Nós somos mais de quarenta mil no Brasil e mais de um milhão e trezentos mil no mundo, espalhados em duzentos e dois países. Mas não somos um amontoado de pessoas, nem somos uma elite econômica ou de "status social". Nós somos uma elite pensante, uma elite formadora de opinião.
Assim, é inegável que somos uma força muito grande em qualquer que seja a comunidade, em qualquer que seja o município, em qualquer que seja a nação. Em função disto não podemos ser subservientes do primeiro setor; nós precisamos propugnar e exigir os nossos direitos de nos transformar na linha líder, a dirigir as coisas sociais; nós somos o terceiro setor que supre as deficiências do primeiro, com a meta e capacidade de solucionar os problemas da sociedade que ele não consegue.
Não podemos, nós do Lions ficar a reboque do Poder Público, mendigando o direito de trabalharmos pelo carente; devemos exigir o nosso espaço na comunidade, visando promover o ser humano. Devemos ter em mente que sem a nossa participação, sem o nosso serviço, sem o terceiro setor, o Poder Público perde a sua função primeira de proporcionar o bem estar aos seus habitantes.
Hoje, assim como amanhã e sempre, o Lions deve ser o vetor da promoção humana.
E nessa senda, é vital que saibamos que não é mais função do Lions praticar o assistencialismo como um fim, porque assim o fazendo, ele estará mitigando a necessidade um homem por um dia ou uma semana, deixando-o na berlinda o resto da vida. Pode praticar a assistência social como um meio, tendo a promoção humana como um fim. Mudando o seu foco, o Lions mudará o mundo, deixando o mero assistencialismo às entidades filantrópicas, às 300.000 ONGs que existem por aí.
Por sua vez, a promoção humana exercida por Lions deve ser feita em moldes profissionais, visto que no mundo atual já não existe lugar ao puro amadorismo, submetido à exclusiva boa vontade de cada um; ela, evidentemente tem o seu mérito, mas é insuficiente; a profissionalização dos projetos as estratégias dos trabalhos, em hipótese alguma, pode-se prescindir do voluntariado, mas este deverá, sempre, seguir diretrizes profissionais.
Justamente pela necessidade de especialistas, surge a grande vantagem de Lions; tem ele, em seus quadros, profissionais de todos os naipes, não dependendo de pessoas alheias ao movimento. Basta colocar o homem certo no lugar certo. Não será esta a verdadeira função das assessorias e comissões?
Feito isto, o Lions, estará cumprindo seus objetivos e exteriorizando o seu poder e a sua força.
Mas será de bom alvitre, que se discuta em seu seio, não uma política sectarista ou partidária, mas uma política desenvolvimentista, uma política de Brunschilli (a arte de governar) ou de Kelsen(estado justo). Deve discutir sim, uma política do bem-estar social, da inclusão social, da promoção humana.
Enfim, isto tudo deve ser a função do Lions. Este é o futuro do Lions. Sair da perplexidade e do marasmo em que se encontra e buscar o seu destino de potência do terceiro setor; deixar de lado os discursos inócuos, alicerçados tão somente em aleivosias, vaidades e similares e partir para um trabalho efetivo e eficaz. Apenas, assim, voltaremos a ver Lions em sua real posição no mundo, pois, se continuarmos a agir como sempre temos agido, é óbvio que apenas obteremos os mesmos resultados que temos tido; e isto não nos interessa mais.
* CL EGD Ayrton Pinassi