"Cinco minutos, no máximo, para a Instrução Leonística, porque, mais do que isto, é "torrar" a paciência dos companheiros.
Como é evidente, ela deve ser preparada com a devida antecedência (o que, lamentavelmente, nem sempre ou quase nunca acontece), e, de preferência, não deve ser lida, mas sim exposta de maneira simples pelo companheiro designado para proferi-la, que deverá dispor de um roteiro para não perder o fio da meada. Tal procedimento, a nosso ver, oferece as seguintes vantagens:
Boa aparência - É evidente que um companheiro que se preza deve preocupar-se, sempre, em qualquer circunstância, com sua boa aparência, nela incluída não só o seu vestuário, como, também, de modo particular, o seu aspecto pessoal. Dele não se exige como é óbvio, quando designado para proferir uma Instrução Leonística numa reunião normal do seu clube, que esteja formalmente vestido, bastando que esteja adequadamente trajado, como os demais companheiros. É claro que, deixando momentaneamente de lado o tema Instrução Leonística, em ocasiões especiais como, por exemplo, nas solenidades de abertura de convenções, nas reuniões festivas solenes de seu clube e de clubes co-irmãos, como palestrante convidado em convenções, seminários, fóruns ou em quaisquer outras cerimônias importantes de caráter leonístico, de modo particular naquelas em que haja convidados estranhos ao Lions, o traje formal é indispensável. É sempre bom lembrar que, em tais oportunidades, a "boa aparência " contribui, eficazmente, para manter o "status" do Lions.
Timbre de voz e cuidado com o microfone - O timbre de voz varia de pessoa para a pessoa. Definido no Novo Dicionário da Língua Portuguesa Novo Aurélio - Século XXI como "Qualidade da voz que lhe confere maior ou menor pureza, amplitude e riqueza sonora", o companheiro designado para proferir uma Instrução Leonística, uma alocução ou uma palestra deve esmerar-se para adequar o seu timbre de voz ao tipo de preleção para a qual foi designado, levando em consideração, ainda, o ambiente onde ela será proferida. Uma voz inexpressiva, esganiçada, muito alta ou muito baixa em nada contribui para o sucesso daquilo que se quer expressar por palavras.
Boa dicção e cuidado com o microfone - A arte de pronunciar corretamente as palavras, de falar com articulação e modulação apropriadas, isto é, a chamada boa dicção, é fundamental para o sucesso de qualquer tipo de fala.
O cuidado com o microfone, de outra parte, quando ele está presente, é outra preocupação que deve ter quem faz uso da palavra em público. Antes de qualquer coisa, ele deve estar em perfeitas condições de uso, vale dizer, devidamente testado por alguém, antes do início de qualquer evento leonístico, o que nem sempre acontece, fato que contribui, muitas vezes, para que falhe na hora em que dele mais se precise. Se usado, deve-se ter o cuidado de aproximá-lo adequadamente da boca para que a voz chegue "limpa" aos ouvidos dos presentes.
Não falar caminhando - Isto, normalmente, não acontece no caso de uma Instrução Leonística, quando o companheiro fala do lugar onde se encontra, ou, no máximo, de uma tribuna, quando esta existe.
Escolher um tema interessante sobre o qual tenha domínio - Nos clubes bem organizados, é feita uma previsão, para todo o AL, não só quanto aos temas para a Instrução Leonística nas reuniões de assembléia, como, também, dos nomes dos companheiros designados para proferí-las, o que é altamente recomendável. Nesse caso, não há que falar em "escolha de um tema interessante sobre o qual tenha domínio". Quanto ao citado domínio, cabe ao companheiro previamente designado para proferir a Instrução Leonística, fazer a pesquisa de que anteriormente falamos, preparando-se, assim, com a devida antecedência, para o bom desempenho da missão que lhe foi atribuída.
Preparar, antecipadamente, uma breve alocução - Este item está diretamente ligado ao que foi dito no item anterior.
Despertar o interesse do ouvinte - É claro que nem todo companheiro tem o dom de despertar tal interesse, mas, se seguir fielmente o que já foi dito e o que ainda será dito, conseguirá, sem sombra de dúvida, sucesso na empreitada para a qual foi designado.
Usar parcimoniosamente o humor - Desde que seja um humor sadio, despido de qualquer conotação política, religiosa ou que fira princípios morais, usado em momento oportuno, ele pode, sem dúvida, contribuir para enriquecer a Instrução Leonística e despertar o já citado interesse do ouvinte. Mas, muita atenção, é indispensável que o companheiro tenha pendor para utilizar tal recurso.
Ser lógico e coerente - O encadeamento das idéias e a coerência são fatores indispensáveis para o êxito de uma boa Instrução Leonística.
Não confundir veemência com rispidez - O entusiasmo pode, às vezes, levar o companheiro às raias da impetuosidade, à veemência, o que, na verdade, é pouco comum ocorrer em uma Instrução Leonística. É admissível, no entanto, em termos altamente educados, mas pouco ou nada aconselhável. Quanto à rispidez, nem pensar. É sinal de falta de educação e de controle e, como tal, simplesmente desprezível.
Usar linguagem simples - Linguagem arrogante, bombástica, eivada de gongorismo não tem mais lugar nos tempos hodiernos. Simplicidade acima de tudo deve ser a meta de uma Instrução Leonística.
Não ser dogmático - Dogma, ensinam-nos os léxicos, é ponto fundamental e indiscutível de qualquer doutrina ou sistema. Não cabe, pois, ser analisado em uma Instrução Leonística, que deve primar, acima de tudo, pela flexibilidade.
Ser breve - "Antes sejamos breve que prolixo" (J. de Barros). Este é o exemplo de uma regrinha de Português contida na velha Gramática Expositiva de Eduardo Carlos Pereira, na qual estudei nos idos de 1943 a 1949, que assim prescreve: "Quando os pronomes NÓS e VÓS são empregados por EU e TU, pode o predicado nominal ir para o singular, concordando com a idéia" . Aliando brevidade, precisão e concisão qualquer companheiro terá possibilidade de fazer uma bela Instrução Leonística.
* CL Nelcy Pereira Guimarães