Evidencia-se, destarte, que o autêntico espírito leonístico é o alicerce da importância de Lions, e a base que sedimenta a sua força.
Mormente, neste limiar de século e de milênio, onde já não mais basta sermos bons, obrigan-do-nos a sermos excelentes, o movimento em epígrafe, para não sucumbir, precisa adaptar-se aos novos tempos, tendo a consciência de que não mais existe espaço no Lions para proposi-ções meramente teóricas, piegas, inócuas e amadorísticas, sendo de suma necessidade, proje-tos sólidos e profissionais.
Não estamos rejeitando o serviço voluntário e amador, mas é preciso, agora, adotarmos o pro-fissionalismo em Lions, dada a necessidade de afastar-nos da cultura assistencialista, optando por uma cultura voltada à promoção e à inserção do excluído na sociedade organizada.
Esta mudança tem muita lógica, eis que há anos atrás o Lions era, em muitos rincões, a única entidade a assistir o carente; hoje, mercê das muitas entidades filantrópicas e beneficentes que existem, com a absurda quantidade de cerca de 500.000 ONGs instaladas no país, o menos favorecido já não mais depende do Lions, do ponto de vista assistencial.
Para o voluntário do serviço amador existe a tarefa pragmática de concretizar junto às comuni-dades, os projetos e planejamentos elaborados por profissionais.
A mudança referida é, compreende-se, bastante traumática, especialmente porque se faz ne-cessária a substituição do assistencialismo pela inserção social, exigindo coragem de quem a empreende, além de transformar a mentalidade atual dos leões para uma modernidade mais abrangente. Mas, aí, deve resplandecer a qualidade de líder do Leão, pois só ele tem coragem de realizar a mudança, visto que a mudança dói, mas é ela quem propícia o crescimento. Esta liderança leonística deve ter a energia de uma criança, a criatividade de um artista, a dedicação de uma mãe, a humildade e desprendimento dos amantes da Paz, a sabedoria e a paciência dos sábios, a coragem do alpinista, o entusiasmo do torcedor fanático e a persistência de um atleta.
Jamais se esqueça o líder que, para que assim seja considerado, ele deve desenvolver uma visão do que é possível e ser capaz de inspirar outros a ajudá-lo a realizar estas possibilidades, deve desenvolver competência e talento internos, de forma integral, pois só ele é capaz de transformar o "status quo" e só ele evolui com as mudanças.
Contudo, mudando a cultura do assistencialismo para a promoção humana, é óbvia a necessi-dade de, como dito já foi, um trabalho profissional. Também é feliz o Lions em ter em suas hos-tes, profissionais de todos os matizes, não havendo necessidade de sua busca fora do movi-mento; temos, então, o voluntariado profissional, sem paradoxo algum. Assim fazendo, teremos um Lions com metas mais concretas, e, como já dissemos, mais moderno, um Lions mais visível e atraente, principalmente para os mais jovens.
Se for função de Lions transformar todo ser humano em cidadão, conclui-se que, enquanto houver apenas um homem desprovido da plena cidadania, existe a necessidade imperiosa da existência de Lions.
O Lions, para isto, deve agir de tal forma a ser um agente modificador, inovando, destarte, os seus serviços com referência à figura do carente, determinando como e quando intervir para a aludida promoção social. O leão, por sua vez, deve especializar-se em gente, tendo por foco o ser humano. O leão deve participar, dentro de uma visão holística, compreender as múltiplas formas de alienação social e ter uma consciência marcante, objetivando sempre a emancipa-ção humana, tanto individual como coletivamente, incluindo-se aí, uma autocrítica diuturna e eficiente.
Portanto, o Leão deve se capacitar, de forma tal a conhecer e transmitir seu conhecimento a todos que participarem do processo em questão.
O interessante é que o próprio Lions nos dá o paradigma maior do trabalho descrito em seu objetivo primeiro: " Criar e fomentar um espírito de compreensão entre os povos da terra." Isto é um incentivo e uma loa à paz entre os homens deste planeta.
É objetivo de Lions a consecução de uma cultura da paz, sabendo-se que, somente será ela implantada se todos os indivíduos tornarem-se cidadãos.
Ao buscar a paz, através de uma cultura que lhe seja peculiar, teremos completado toda a promoção social, pois esta é premissa essencial daquela.
A Cultura da Paz precisa ser implantada neste mundo dominado pela violência das ruas, pela violência das guerras, pela violência da miséria, pela violência da exploração das crianças, pela violência do analfabetismo,e pela violência da desigualdade social.
Desde tenra idade, foi nos imposta a Cultura da Violência, com bicho papão, com o manique-ísmo das revistas infantis, como o Tom e Jerry, com os Gibis, com os Super-Heróis, com os heróis matadores de nossos livros de história, assim como com os filmes que inundam as telas, etc. E, sentido contrário, poucos conhecem a mencionada Madre Tereza de Calcutá, Chico Xavier, Martin Luther King Jr., Irmã Dulce, Mahatma Ghandi, São Francisco de Assis e tantos outros arautos da Paz.
Se arraigada a Cultura da Violência, o Lions deve incrementar a Cultura da Paz, mas fazendo-a pragmaticamente, deixando os proselitismos, as vaidades vazias e as aleivosias nocivas no ostracismo. Será transformada esta Cultura em realidade, se o leonismo trabalhar em direção ao desenvolvimento da cidadania, da dignidade, dos direitos humanos, da ética e da solidarie-dade.
Mas é imprescindível que, para levarmos a paz aos outros, devemos ter, antes, a nossa paz interior. E nossa paz interior exige tolerância, paciência e uma capacidade de perdoar, de a-prender a ouvir o próximo com atenção, de reclamar do que não gosta, sem ofender, humilhar ou atacar a outrem, de atacar o problema sem fazê-lo à pessoa, de tolerar as indiferenças.
Assim sendo, teremos um mundo mais tranqüilo, mormente para nossos descendentes, pode-remos com orgulho, dizer aos nossos filhos: o mundo de vocês é muito melhor que o meu, e eu contribui para isto. O importante é que tenhamos em mente que implantando a cultura da paz, estaremos cumprindo com nossos desígnios leonísticos.
A cultura da paz deve estar calcada em objetivos concretos, tais como a construção de ações práticas, espalhando tais práticas por todas as cidades, realizando caminhadas pela paz, im-plantando Casas da Paz, criando-se o Dia da Paz, e outros eventos de incrementação e cons-cientização da aludida Cultura da Paz. Para isto, todavia, o leão deve compreender e trabalhar as múltiplas formas de alienação social que acomete o menos favorecido, em todos os seus aspectos.
Em assim sendo tornaremos o Lions, o vetor da promoção social
* CL EGD Ayrton Pinassi