Uma das características do Terceiro Setor é a sua diversidade, pois são muitas as organizações com missões e ações voltadas para públicos distintos. Compõem este Terceiro Setor as organizações não governamentais (ONGs), as associações, as fundações, as cooperativas, as entidades assistenciais, etc.. Andres Pablo Falconer (1) em entrevista à Folha de São Paulo em 16/12/2003 define claramente o papel de algumas das organizações do Terceiro Setor:
"Influenciar políticas públicas é o objetivo a que se propõem muitas organizações de ponta. Além de oferecerem serviços, elas fiscalizam, complementam e apóiam a ação de governos. Além disso, funcionam como laboratórios de inovação social, como canais de participação social e como formadores de novas lideranças. A experiência internacional mostra que, onde o terceiro setor é mais forte, o Estado é mais presente e eficaz, contrariando a crença de que o setor visa substituir o Estado".
Os nossos Lions é um clube de serviço cuja característica básica é a prestação de serviços à comunidade conforme estabelecido no seus estatutos, mas não deixa de ser uma Organização Não Governamental. Há os que difundem que um Clube de Lions não é uma ONG, sem que haja nenhuma tese que fundamente esta afirmação. Como esta bem definida por Andrés, que quanto mais presente e atuante for o Terceiro Setor mais presente está o Estado.
Como somos células operacionais funcionando tanto nas grandes capitais e até em pequenos municípios, nossa organização esta perfeitamente atrelada a este modelo de presença, evidentemente que alguns com grandes e outros com pequenas atuações mais integram a essa grande rede com os mesmos objetivos e valores éticos e morais que norteiam as nossas atividades e ações humanitárias e o serviço desinteressado.
Criar a Rede Nacional de Lions Clubes do Brasil, uma organização que agregaria todos os clubes legalmente constituídos e reconhecidos de Lions Internacional de todos os Distritos do Brasil, com representatividade paritária e eqüitativa entre os distritos e coordenada por um Conselho Superior, escolhido entre seus membros, seria um grande avanço para o nosso fortalecimento enquanto Organização Social do Terceiro Setor, coadunando com a tese do Prof. Andres.
Nós estaríamos presentes nos diversos segmentos da vida nacional, nos órgãos de controle social como os Conselhos Nacionais de Assistência Social, de Direitos da Criança e do Adolescente, do Idoso, da Juventude, etc., como legítimos representantes e integrados aos demais movimentos sociais através da nossa rede. Sentaríamos à mesa para participar e debater grandes temas de interesse nacional, sermos ouvidos e ajudar a deliberar sobre políticas públicas para o desenvolvimento social, econômico e cultural do Brasil.
Dos benefícios: Imensuráveis, partindo do entendimento que há Clubes que atuam pouco não é por falta de vontade de servir, mas por falta de recursos materiais, humanos e financeiros para atenderem às suas demandas e necessidades da comunidade onde o mesmo está inserido. A Rede Nacional de Lions Clube do Brasil funcionará como um elo de forte ligação entre os clubes e as Políticas Públicas e os agentes públicos, atuando diretamente na captação de recursos, na defesa dos pleitos realizados através de projetos sociais oriundos dos clubes/distritos e assessorar na aplicação, acompanhamento e controle na efetivação dos mesmos.
Controle Social: Para ser conselheiro e ter acento aos Conselhos Nacionais é necessário que a entidade tenha uma representatividade no mínimo em cinco estados da federação, ou que a mesma seja representada por confederações, a exemplo das Misericórdias do Brasil que já presidiu o Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS e hoje mantém um Conselheiro representante eleito naquele colendo CNAS defendendo os interesses de todas às suas afiliadas pelo bem comum. Se seguirmos o que manda a legislação, nós os Lions atendemos este requisito, estamos presentes e organizados em todas as cinco Regiões do Brasil e somos reconhecidos a nível Nacional como Entidade de Utilidade Pública Federal, mais não fazemos e nem usamos esta prerrogativa tão importante para o nosso fortalecimento como organização de força nacional e parceira para o desenvolvimento social do nosso País. Fragmentados somos pequenos, mas unidos e organizados num único comando, prevalecendo à autonomia de cada clube seremos uma das maiores forças organizadas deste País e os frutos e dividendos serão sentidos em nossas comunidades dentro de um critério justo de reconhecimento e apoio que os nossos CCLL associados dos Lions Clubes de localidades mais interiorizadas deste imenso Brasil receberão para o enfrentamento dos desafios às suas demandas sociais.
Defendo a criação desta Rede, idéia que para muitos é impossível, talvez uma loucura ou utopia, mas quando Melvin Jones pos em prática sua idéia ele não pensou somente nas boas notícias, mas também nas dificuldades e nos pensamentos contrários, atitudes e críticas pessimistas, pois se tivesse dado ouvido provavelmente o Lions não existiria hoje nem prosperaria por 90 anos.
"Nada é impossível para aquele que crer". Creio que com a materialização desta nossa proposta, a Rede Nacional de Lions Clubes do Brasil, uma necessidade importa pelo Estado moderno, nossa presença e Missão serão ainda mais fortalecidas e assim estaremos dando um importante salto para novas conquistas na construção de um Brasil melhor para todos, porque "Nós Servimos".
* CL Paulo Lamego