A nossa Constituição de 88, chamada "Constituição Cidadã" assegura entre tantos direitos os da liberdade de livre associação. O modelo de Estado Moderno exige mais do que nunca que a sociedade seja participativa e exerça um importante papel de reguladora e controladora do Estado e que este esteja a serviço do Povo.
O terceiro Setor como são conhecidas as organizações sociais não governamentais, hoje importante segmento existente no Estado Moderno, organizadas e reguladas por Legislação específicas vem exercendo seu papel de parceiro mesmo que muitas vezes sem o apoio pertinente dos agentes públicos que deveriam ser o outro lado da parceria, ocupando lacunas onde o Estado é omisso ou não ver como prioridade, executando ações de caráter humanitário e de assistência social e muitas com representatividade e poder deliberativo nos Conselhos de controle social nos três níveis, compostos paritariamente entre a sociedade civil e governo.
O Lions Clube é uma célula importante, constituído por diversos segmentos sociais e profissionais, tornando-se assim uma organização de caráter representativo. Discutir temas relacionados à cidadania, políticas de direitos, proteção e inclusão é um dever de seus membros.
Um Lions Clube pode e deve interferir positivamente nas questões sociais, já o faz mais de maneira informal, sem com isso imprimir um perfil político-partidário, ideológico ou de tendências doutrinárias a serviços de interesses das minorias, grupos ou pessoas, já me atrevi escrever sobre o assunto em forma de Instrução leonística, que os sócios de um LC devem estar inseridos nos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacionais de controle social, já que somos uma das maiores Organizações Sociais Não Governamentais do Brasil e do Mundo. Somos uma força importante, porém pouco utilizada sobre o pensamento errôneo de que devemos ser neutros nas questões públicas como se as mesmas fossem de caráter político-partidário somente ou proibitivas.
Companheiros, este pensamento não há de prosperar ou nortear nem ser o nó cego do encaminhamento da atuação leonística diante da realidade em que vivemos. O Brasil real precisa e necessita de seus cidadãos que imbuídos do civismo e amor patriótico levantarem os temas, colocá-los à mesa, discuti-los, aprofundar-se nas fundamentações e apresentar sugestões, abrir o debate, promover e construir propostas e idéias inovadoras e exigir a aplicabilidade das Leis e da ordem Constitucional. Isto é exercer a plenitude da cidadania como manda a Constituição.
Quando cruzamos os braços, só há dois conceitos definidos que podem ser atribuídos a este tipo de comportamento: Acomodação ou Omissão.
O Estado Moderno requer e exige que a sociedade organizada seja norteada pelos princípios da justiça e da igualdade social, banir os maus exemplos, promover e valorizar o conceito da dignidade moral e punir na forma e no peso da Lei, doa a quem doer, nem que seja cortar na própria carne os mal feitores, os transgressores, os meliantes que usam o aparelho do Estado para se locupletarem causando com isso mortes e sofrimentos nos hospitais públicos por falta de recursos materiais e financeiros, perdas de vidas preciosas nas esquinas das vias públicas por latrocidas e balas perdidas pela ausência e incompetência gerencial e de recursos na segurança pública, da fome e da miséria, dos jovens sem perspectivas, que serão presas fáceis para o submundo por que suas esperanças nas instituições já não existem, onde a "justiça" é célere aos pobres, negros, excluídos, etc., enquanto a impunidade premia os meliantes e criminosos pelos seus delitos. Hoje parece que o mal feito é referencia, estamos assistindo a uma inversão de valores, uma valorização do mal e o deboche com o ético e o correto. Os humanos direitos estão se sentindo desprotegidos. Não podemos concordar com isso, banalizar o delito, tornar isso uma grife para poucos é acima de tudo um despropósito que não pode ser mais tolerado. Somos organizados, temos uma referencia onde prevalece o Ético e que sejamos exemplos para as futuras gerações. À hora é esta, e os meios, todos, seja aqui neste fórum interativo, seja nas Convenções leonísticas ou nas reuniões ordinárias dos Lions Clubes.
Esta é a minha visão, agradeço aos CCLL leitores pelas concordâncias ou discordâncias sobre ela. Proponho o debate democrático e isento.
* CL Paulo Lamego