Este meu universo tão diminuto não é de todo consentâneo com o universo da Lion que eu concebo. Reconheço que terei que exigir mais de mim, das minhas capacidades, para ajudar um movimento que, por tanta importância ter atingido , está neste momento ferido , decadente, em que as mentalidades não mudam, os sistemas são rígidos, em que as pessoas se atropelam por objectivos próprios, servindo-se desse movimento para os atingirem.
Quem serei eu, para poder afirmar que o Lionismo não poderá ser um palco de exibições, mas sim todo um conjunto de actos e projectos conducentes à integração de um voluntariado são e autêntico? Sim, sou uma humilde Lion consciente, que prometeu a si mesma desafiar os incautos , para que usem de transparência nos seus planos, pois esses planos só poderão ter incidência no bem comum, e, não na sua promoção.
Dignificar, honrar, servir, não é de todo o espelho do nosso movimento. Sinto-me tremendamente mal quando confrontada por muitos com quem falo, que me dizem que não passamos de papa jantares, onde os participantes se comportam como príncipes de uma incomensurável vaidade. Sinto-me ferida, contraponho os meus pontos de vista, mas lá no mais profundo do meu ser, chego à conclusão que efectivamente os que falam terão alguma razão.
O que fizemos para melhorar o Lionismo? Será que vamos conseguir sanear os que nada valem e lá estão por pompa e circunstância? Será que vamos conseguir imprimir nova dinâmica com acções de cidadania, com incursões sérias de DAR, DOAR, ou continuaremos a ir de jantar em jantar, proclamando e repetindo dezenas de vezes o pouco que fizemos.
Quisera ver nas pessoas o sentido da entre ajuda, de doação, de humildade, quisera ver nos jovens a vontade de integrarem um movimento, que, eles com a sua capacidade crítica e audaz, pudessem dizer que o espírito do movimento tinha mudado e que dele se orgulhavam.
Com certeza que muitos se confrontarão com a pergunta que faço a mim mesma. Porquê tanta retracção em integrar um movimento de voluntariado tão importante internacionalmente? Porque alguns que o integram não Servem, mas Servem-se dele?
Muito terá que mudar em todos nós para termos um Lionismo consentâneo com os ideais do nosso presidente.
Acabem-se com querelas, haja a coragem de mudar, e, apelo aos governador e vice governadores, prestes a entrar em funções, para terem a firmeza necessária para alterar o que está errado, e, imprimirem novo fôlego ao Lionismo, rodeando-se de novas gentes, novas regras, libertando o movimento da doença crónica em que se encontra.
Sou talvez insatisfeita por natureza porque gosto de apostar no cavalo certo, daí que pense que há muito porque lutar, há muito a repensar.
Deixo aqui uma sugestão, porque não efectuar dois ou três encontros Lionisticos em cada distrito por cada ano Lionistico em vez de dezenas de jantares de aniversário?
Mudando de assunto, não posso deixar em branco o trabalho que o nosso Núcleo conseguiu durante o ano Lionistico com o esforço de tão poucos elementos. Mas acreditando no título que dei ao meu modesto depoimento, temos que ser mais ambiciosos, e ter maiores aspirações. Estou certa que todos e ainda com mais que teremos que angariar, iremos alcançar as metas a que o Lionismo se propõe.
Apraz-me ainda registrar, talvez o momento mais alto do ano Lionistico, com o 1º Simpósio da Mulher em Lions, liderado pela CLTeresinha Novo, Assessora do Desenvolvimento e Participação na Mulher como Lions, do D115CN. Penso ter sido um momento de alto Lionismo em que se apresentaram matérias importantes, e, que fazem o dia a dia de cada um. Pela coragem e dinamismo que a Teresinha emprestou ao Lionismo, temos nela um exemplo a seguir. Muitos actos semelhantes servirão para um movimento mais coeso e forte em que o voluntariado não se confine somente em dar esmola ao pobrezinho, mas também em efectuar intervenções cuja dimensão seja tão abrangente que consiga fornecer ensinamentos e informações a quem delas necessite.
Perdoem-me companheiros esta minha abertura, mas como Lion , gostaria que todos fôssemos confrontados com as nossas realidades, e, que sem tabus investíssemos num clube mais aberto, afastado das tantas enfermidades que o assolam.
Com modéstia, trabalho, dignidade, com certeza honraremos o nosso movimento que tem por lema SERVIR.
* CaL Maria Odete Gomes da Rocha