Em relação à mulher, pela sua natureza e funções específicas e particulares de reprodutora da prole, com tudo o que lhe diz respeito, incluindo a gestação, o parto, a amamentação, os cuidados com os filhos, a tradição determinou que ela fosse confinada ao lar, impedida de realizar outros papéis sociais, então considerados de domínio masculino, até porque era tida como intelectual e socialmente inferior ao homem.
Essa característica de inferioridade permaneceu, mesmo em se tratando de rainhas ou princesas, relegando-se a mulher à subordinação, à passividade, à dependência, aprisionando-a a estereótipos, tais como: "a mulher é sensitiva, amorosa, altruísta, agindo com o coração e com desprendimento, sendo a sombra benfazeja do homem que é racional, impetuoso, decidido, capaz, forte e objetivo".
É interessante observar e refletir sobre como a sociedade e as sociedades complementares foram se formando, mantendo esses mesmos estereótipos em todo o mundo, nelas se incluindo os Lions Clubes.
O absurdo dessa situação, sobejamente conhecida pela humanidade, precisou vir à tona, com maior ênfase, graças às próprias necessidades sociais, a movimentos femininos e exemplos de personalidades femininas que marcaram a história, rasgando barreiras de preconceitos, fazendo presença no mundo, ganhando destaque e projeção social, sem usar as armas da hipocrisia ou da sedução.
Fatalmente, esses movimentos chegariam ao Lions que houve por bem regulamentar a admissão de mulheres como Companheiras-Leão e somente no final dos anos 80!
Entretanto, a situação em relação à mulher, embora bastante modificada, ainda permanece no mundo, quer pela resistência masculina, quer pelo comodismo feminino. Se assim não fosse, que necessidade haveria de se comemorar o "Dia Internacional da Mulher"? Indo mais além, como reagiria a sociedade se fosse comemorado o "Dia Internacional do Homem"?
Simone de Beauvoir afirma que "ninguém nasce mulher: torna-se mulher". Esse princípio exige uma postura feminina corajosa, uma consciência plena do "eu sou". De sua natureza, sobre as diferenças que existem, sim, entre homem e mulher, nenhuma delas significando inferioridade ou superioridade, todas, perfeitamente sintonizadas no melhor sentido do desenvolvimento pleno da mulher como "pessoa humana", esse conceito orientando outros como, "crer", "estar", "querer", "poder".
Assim pensando, voltamo-nos para a marcante e indispensável participação feminina no Lions, chamando a atenção para a necessidade de conscientização das mulheres em relação ao serviço leonístico que vêm prestando, examinando suas condições de atuação, suas oportunidades de realização pessoal e social, o nível de gratificação experimentado ao colaborar, ao influir, ao ajudar, ao opinar, ao executar, ao desempenhar-se por si mesmas ou em nome ou lugar de outrem.
Não é raro ouvir ou constatar registros em que existem citações do tipo: Companheiro (o nome é geralmente, completo) e sua Domadora, sem citação do nome ou somente o primeiro nome, ou, ainda, apresentação da mulher como Domadora de Fulano (sem qualquer citação de seu nome), como se fosse gratificante à mulher ser uma sombra ou ser aquela que justifica o ditado: "Atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher".
Ainda é fato visível, existirem muitas Companheiras-Leão que permanecem ou adotam uma postura secundária nos Clubes, nas Convenções, deixando de participar de reuniões ou plenárias, assumindo uma atitude passiva perante as discussões e decisões, minimizando a importância de sua posição que lhes faculta as mesmas prerrogativas masculinas no Lions.
Há necessidade, ainda, de que a mulher, no Lions, avalie a importância das tarefas que executa, sua satisfação ou não pelos resultados auferidos, a consistência ou a improvisação de suas ações, a sobrecarga ou descompromisso impostos pelas tarefas delegadas e propor a si mesma, uma opção criteriosa que lhe outorgue ser Domadora, ser Companheira-Leão, ou deixar de ser Domadora para fazer-se Companheira Leão.
Entre uma e outra questão, vale considerar o trabalho leonístico feminino, pela resposta que for dada à questão: Até que ponto ele tem proporcionado à mulher, como pessoa diferente do homem que é, a consciência de sua independência, individualidade e realização pessoal?
* CaL Eunice Rodrigues de Mello Junqueira