Há algum tempo, tenho como uma de minhas preocupações meditativas o constante apelo, o permanente chamamento à "renovação do quadro de associados", ao "aumento do quadro social", ao "crescimento e ao desenvolvimento do quadro social", como se aí, e somente aí, repousasse a própria Vitalidade Leonística.
Entendemos que o crescimento deve ser visto, antes de tudo, como o aumento da intensidade da Vida Leonística, como o aumento do ímpeto do Ideal Leonístico, o aumento da força da Vida Leonística de cada Leão, premissa para o próprio desenvolvimento de um Lions Clube que será mensurado pelos índices de seu rendimento como Clube de Serviço, isto é, pelo rendimento de seus programas e projetos voltados à consecução do próprio objetivo de Lions Internacional.
Há um momento de crescimento em que os próprios associados deveriam sentir a necessidade de proceder a novas admissões, para elevar os índices de rendimento, para se desenvolver, progredir, melhorar e se adiantar.
O aumento do quadro social, com o ingresso de novos associados, será uma contingência, uma exigência do crescimento interno do clube, portanto, uma necessidade sentida de dentro para fora, impulsionada pelo desejo interno de se desenvolver e progredir e não um aumento do quadro associativo determinado pela necessidade de mover, de fora para dentro, o que está estático no clube, estratégia que não nos parece benéfica.
Esta colocação merece, de fato, uma profunda avaliação. Qual é a melhor estratégia a ser adotada? Vamos estimular a admissão de novos associados para tentar dinamizar os clubes ou vamos dinamizar os clubes para que eles sintam a necessidade de admitir novos associados para melhorar e elevar os índices de seu rendimento?
Acreditamos que a solidez de um clube se mede pela desenvoltura de seus programas e de seus projetos, pela motivação de seus agentes, ou seja, de seus associados, vitalizados pelo ideal de servir sempre renovado que os estimula ao progresso e os conduz ao desenvolvimento.
O aumento numérico do quadro social é uma conseqüência do processo natural de desenvolvimento, não uma condição primária ao crescimento do clube.
A experiência dos mais antigos e a sabedoria dos mais velhos devem ser compartilhadas com os mais novos e com os mais moços, nunca, porém, marginalizadas ou substituídas, mesmo porque, renovação em Lions deve ser compreendida como mudança, como realinhamento das Normas Leonísticas, somando-se experiência e sabedoria às expectativas e aspirações, para mover esse processo de crescimento, desenvolvimento e progresso de nossa sublime instituição.
Lions é movido pelo ideal e um ideal permanece vivo, cresce, se espalha, recebe adeptos, na medida em que é divulgado, pregado, vivido, espelhado por atos tangíveis, na medida em que permanece aceso, que tem chama e que inspira com seu exemplo.
Assim, acreditamos que o crescimento, o desenvolvimento e o progresso do Lions, dependem muito mais das mensagens inspirativas, a nível de clube e de distrito, do que da tecnocracia que mecaniza os procedimentos e contabiliza os resultados numéricos, não medindo os valores intrínsecos presentes na individualidade de cada associado, valores estes que podem se consubstanciar em rendimento quanto ao crescimento de cada um, quer em sua vida em comunidade, quer em sua vida familiar e profissional, quer, finalmente, em sua vida solidária aos demais companheiros, multiplicando-se em seu meio pelo exemplo, pela dignificação e, conseqüentemente, atraindo a seu clube novos adeptos de seu ideal, novos associados, pela força e pela intensidade de sua pregação leonísticas.
A Pregação Leonística inspirativa tem a capacidade de atingir esses valores e de fazê-los aflorar, tornando-os expostos à admiração, ao exemplo, à imitação, ao seguimento de tantos outros, numa contabilização de méritos e de virtudes presentes em todos os clubes a serviço do ideal de servir.
Muitas vezes, precisamos parar para avaliar, refletir e rever nossos procedimentos. As mudanças são necessárias, até mesmo para o fortalecimento de nossas vidas. Será que não chegamos ao momento da reflexão?
Não é este o instante para realinharmos nossa Vocação Leonística e avivarmos o nosso ideal?
Não é esta a hora de uma nova esperança no Movimento Leonístico?
Meditemos sobre o assunto!
* CL Paulo Fernando Silvestre