Ser leão é uma decisão tomada do modo mais livre, voluntário e independente possível, uma vez que pertencer ao Lions não é pré-condição para a obtenção de títulos acadêmicos, profissionais ou honoríficos. Não soma pontos para concursos, empregos ou cargos públicos. Em empresas particulares, organizações profissionais ou recreativas, não isenta de impostos nem facilita a ficha cadastral. É matéria inerte no currículo.
Não existe uma organização de voluntariado para inscrever-se em Lions, embora ser leão é voluntariamente comprometer-se a estar "sempre alerta para servir", como reza o lema dos Escoteiros de Baden Powell. Ninguém se oferece para ler leão, como ninguém é compelido a aceitar um convite para ingressar em Lions, nem mesmo a permanecer como membro do clube que algum dia o acolheu.
Mas se existe tão grande liberdade para deixar o Lions e nenhuma pressão para nele ingressar, torna-se incomensurável a responsabilidade de permanecer como leão. A ausência de pressão para ser ou não ser, gera um sério compromisso com os objetivos de Lions, objetivos que se traduzem em ações.
Seja o Governador do Distrito, o Presidente do Clube ou o mais novo dos associados, todos têm durante o Ano Leonístico uma missão específica a cumprir. O presidente não pode falhar, como não podem falhar os membros do Conselho Diretor, os membros das comissões, cada um em seu setor. A responsabilidade é a mesma para todos, embora as implicações da omissão de cada um sejam tanto maior quanto mais se aproxima do topo da pirâmide hierárquica.
Enquanto se permanece em Lions há um engajamento, há tarefas a cumprir, lacunas a preencher. Não se é descomprometido com os companheiros a ponto de poder se eximir do sacrifício comum, de tempo, dinheiro e conforto. Os leões são homens e mulheres com ação em sincronia com o bem comum, não uma galeria de indivíduos sem préstimos e sem o ideal de servir.
Quando o leão recebe uma missão, seja do Conselho Diretor, seja de uma comissão, é indispensável que, antes, se informe perfeitamente das obrigações e compromissos que estão implícitos no exercício desse mandato e honestamente assuma uma atitude: ou abraçá-la, para prestar conta de seus feitos com louvor, ou, com serena humildade, não aceitá-la por não ter, no momento, condições de realizá-la a contento.
Nada justifica o vácuo de um Plano de Ação de um Presidente de Clube não realizado por sucessivas comissões. Nada depõe mais contra a liberdade de não ser leão que a omissão daqueles que permanecem inertes nos clubes. A liberdade de omitir-se cessa durante todo o período em que se é membro do Lions. O compromisso com o servir se inicia quando crava-se o distintivo do Lions na lapela do novo associado e só termina quando ele a devolve, retirando-se de Lions. Não existe meio termo.
Não é possível ser leão sem comprometer-se profundamente com o ideal do Lions Clube Internacional, Nós Servimos, a não ser que se deseje ser o companheiro descompromissado que seguramente só desperta desprezo daqueles entre os quais se insinua.
* CL Paulo Fernando Silvestre