Estaremos celebrando a sétima Páscoa do novo milênio! Pode parecer que na vida e na sociedade nada mudou. Muitos pensavam que este novo século seria um tempo de maior fraternidade e unidade entre as pessoas, e, diante da realidade de hoje, ficam decepcionados ao verem o ódio, a violência, a corrupção, a intolerância continuarem e até aumentarem a escalada. A proposta da Páscoa parece que permanece apenas teórica.
De um lado, a Páscoa marca não só o centro da liturgia e da fé, mas também o nosso próprio calendário. Da data da Páscoa é que dependem tantas outras festas móveis religiosas e também uma parte do nosso calendário civil. A Páscoa marca também um momento especial na vida do povo, seja pelas antigas tradições que se repetem pelo mundo, seja pelos novos modelos e eventos que vão ocorrendo hoje: procissões, encenações, filmes, programas especiais na mídia, exploração comercial da data... Uma parte da sociedade aproveita para o tempo de repouso em um feriado prolongado. Nas Igrejas, as celebrações litúrgicas misturam-se com as devoções locais e tradicionais.
Questiona-se, porém, a continuidade e as conseqüências existenciais dessa participação. Durante 40 dias somos convidados a repensar sobre nossa vida e a dar passos de conversão, não só pessoal, mas também comunitária.
Desde Quinta-feira Santa à noite começa o tempo pascal! A Páscoa, como acontecimento primordial de nossa fé, será também celebrada a cada Eucaristia, a cada Sacramento, a cada transformação da vida e da sociedade. A Páscoa não pode permanecer apenas na confraternização familiar, festa do chocolate, feriadão e nem mesmo somente em uma presença um pouco maior nas celebrações nesses dias do ano litúrgico.
Celebrar a Páscoa significa celebrar a certeza de que a vida vence a morte! Significa renovar a própria certeza de que os nossos trabalhos e lutas têm uma direção de luz e de paz! Não é uma utopia, mas sim um dom e compromisso de darmos passos para continuar a realizar o projeto de Jesus de Nazaré, o Cristo Senhor.
A experiência pascal deverá ser para nós o alento de olharmos para a madrugada do domingo de Páscoa e termos a mesma alegria dos apóstolos e das santas mulheres que, depois de terem passado pelo drama da cruz e da sepultura, puderam aclamar: "Ele está vivo, Ele está no meio de nós, a morte foi vencida!". Esta é uma experiência que não só os cristãos podem fazer, mas toda pessoa humana. Se é verdade que muitas situações de morte ocorrem ao nosso redor, e que parece que as forças da degradação superam o bem, em Cristo Ressuscitado deve recobrar para todos nós a certeza da Vida e Ressurreição.
Mais que uma experiência apenas mística, a Páscoa será também uma experiência pessoal e comunitária de uma comunidade que anuncia: "Ele ressuscitou e nós somos testemunhas!" E isso não porque ouvimos dizer dos antepassados ou lemos nas Escrituras, mas porque o experimentamos em nossas vidas!
As atitudes concretas de pessoas que se unem e lutam por um mundo mais justo, fraterno e solidário, de pessoas que se perdoam e se olham como irmãos não podem ser apenas um sonho: devem tornar-se realidade! Devemos começar por nós, que fazemos parte do Lions, o maior grupo de voluntários do mundo e que acreditamos que a mensagem do Cristo é o caminho que nos conduz ao Pai e nos faz viver concretizando na comunidade civil o nosso compromisso do "Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei".
Não é possível neste tempo de tantas conquistas tecnológicas, tantas descobertas científicas, tantos avanços na comunicação que o ser humano ainda não se aproximou do seu semelhante como um irmão. O medo do outro, da violência, do assalto continua a existir.
As grades de nossas casas e as grades das prisões com as rebeliões e atitudes primitivas estão aí a mostrar-nos que temos um longo caminho a percorrer. A preocupação com a ecologia, que é um bem, ainda não encontrou a correspondente com relação ao ser humano que, muitas vezes, não tem casa, emprego e é presa fácil dos consumismos modernos que não o conduzem para "ser mais", mas somente o exploram e, na maioria das vezes, o deixa ao relento, pois a prioridade não é a pessoa e sim o lucro...
A esperança que renasce, a vida que vence, a alegria que retorna aos nossos corações não significa que a realidade ao redor mudou magicamente, mas que nós mudamos, e essa experiência faz-nos lutar pela mudança para que aconteça a "civilização do amor!" Isso nos fará participar melhor de nossas comunidades através do nobre ideal de servir pregado por Melvin Jones e também construirmos uma sociedade onde a justiça, a tolerância, a solidariedade e a paz possam ocorrer em todos os níveis.
Que a celebração da sétima Páscoa do novo milênio nos encontre com a vida aberta para acolher o feliz anúncio dos anjos que nos dizem que "Ele não está aqui, Ele ressuscitou" concretizado em nossas vidas. E que nós possamos anunciar a todos, com uma vida renovada e com as esperanças reafirmadas: "Ele Ressuscitou como disse, Aleluia".
Feliz Páscoa a você e a todos os seus familiares!
* CL Paulo Fernando Silvestre